Farra dos Cartões Passou por Foz
Cidade foi ponto de parada do Cartão Corporativo
Era uma vez em Brasília, Capital retirada no centro do Brasil, rodeada pelo cerrado e por dinheiro, muito dinheiro, vivia uma linda donzela: Rapunzel Ribeiro. Ela, ministra da Igualdade Racial, se sentia solitária e desprezada pelos ministros brancos do reino. Um dia, ela recebeu do rei de Brasília um cartão de crédito.
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Decidida a promover sua igualdade, Rapunzel Ribeiro, também conhecida como Matilde, saiu pelos confins do Império a gastar. Por suas tranças subiram contas em restaurantes, aluguéis de carros, free shops além do próprio megahair que ela havia posto e pago com o cartão corporativo.
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Rapunzel Ribeiro morreu alguns anos depois. Na escrivaninha de seu gabinete, deixou uma mensagem póstuma: "Assim me recomendaram meus acessores. Deixo a vida e tudo de bom que há no planalto central pois nunca consegui o que queria. Meu novo projeto é promover o sistema de cotas para anjos negros. Lá, há muita discriminação. Anjos são somente os loiros de cabelos cacheados, olhos azuis e sem ficha na polícia. Tentarei no céu pois na terra não cosegui ser igual aos outros".
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Descanse em Paz
Ao ler a carta, a imprensa de Brasília constatou que Rapunzel Ribeiro estava errada. Ela, sem saber, havia se juntado ao alto escalão que forma o grupo dos compulsivos corporativos, o GCC. Gastos que vão de camelôs ao Copacabana Palace, passando pelas tapiocas, foram descobertos e a morte de Rapunzel Ribeiro ficou esquecida entre tantos babados que agitam a capital do Império.
-Foz do Iguaçu, uma pequena e calma aldeia do interior, conhecida por suas cachoeiras, teve agora lugar nas manchetes dos grandes jornais. Segundo dizem no reino, gastaram o cartão na aldeia com peixes, banana, shawarmas, entrada no carnafalls além da canja do Galo Inácio. Perto dali, o cartão também foi utilizado.
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No reino vizinho Paraguai, DVDs, cds piratas, ventiladores, computadores e cigarros de esterco constavam no extrato que chegou na casa do rei na Granja Torto. Sacerdotes querem interrogar os ministros sobre os gastos com o dinheiro dos súditos, apesar dos próprios também terem usado o cartão para comprar seus terços e batinas.
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Rapunzel Ribeiro, a Matilde, agora mexe e requebra no túmulo. Se ela soubesse que seria um dia igual a todos da cúpula do reino, não teria se enforcado em suas tranças nagô. Passado quase uma semana de sua morte, não há resquícios que Rapunzel Ribeiro, a Matilde, tenha deixado um pingo de saudade.