quinta-feira, 5 de junho de 2008

Margem Social

Manos e Emos
Shopping de Foz proibe a entrada dos largados

É difícil acreditar em meio ano de vida que o shopping de Foz vai sobreviver a mais um meio ano. Ao andar pelos corredores dos três andares do edifício, se constata a ausência de sacolas das lojas, um claro sinal de que o consumo não é o principal objetivo ali. Um desfile monumental de cuecas à mostra e cabelos torrados a chapinha tornou-se a marca registrada do shopping. Ir às lojas já não é tão excitante quanto observar o movimento dos corredores.

JL: Corredores cheios. Lojas vazias

Sentidos lesados pelo preço do aluguel e pelo destino que o shopping está tomando, a sociedade lojista decidiu levar à administração do shopping uma petição para que a entrada de pessoas seja controlada. O argumento principal, baseia se sobre a tese de que o shopping sofre pelo seu porte não condizer com a realidade fionanceira da cidade. "Enquanto o shopping de Cascavel está aumentando, as lojas do JL Cataratas estão fechando" diz o líder do movimento Edson Purple, gerente da Lojas Americanas.

A principal clientela do shopping é composta por pessoas de alto poder aquisitivo (para os padrões da cidade, 800 reais põe um cidadão no auto da piramide iguaçuense), e esse contingente não se sente à vontade com o intenso fluxo de adolescentes que batizaram o shopping de Praça do Mitre II. "A entrada da Av. Costa e Silva está interditada por garrafas de tubaínas, vinhos, cigarro paraguaio e há um forte odor de maconha com folha de milho, reclama Alice Modes, dona de uma lojinha de 1,99 e conhecida por circular nas festas da alta sociedade iguaçuense.

Entrada Costa e Silva: Visão do Inferno


De fato, no mês passado a segurança do shopping acionou a guarda municipal 13254 vezes e em todas as occorrências foi acusado o uso e transporte de drogas. Entre os materiais ilícitos foram apreendidos 57 cds do simple plan, 1243 lapis, 235 rímeis, 31 posters da banda Paramore, 65 all star e 326 chapinhas. Dessas apreensões estavam também cd´s do 50 cents, Racionais Mc´s, correntes de aluminio, 32 bonés além pequenos baseados light, que segundo o denarc iguaçuense é a mistura de cigarro paraguaio com maconha portomeirense.

A socialite do 14º DP, Magda Carralho, diz que o conteúdo mostra a união dos emos com os manos, possivelmente como resultado da proibição da entrada no shopping.

Os lojistas prometem levar a decisão até o fim. "Isso não vai contra o direito de ir e vir, eles podem ir pra outro lugar", diz o dono de uma lojinha na ponta esquerda do piso inferior que só possui uma prateleira.

Manos e Emos buscam uma saída para a rejeição. Enquanto a sociedade vira as costas, eles descobrem que a mão pode ser usada além do saco e da franja.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Coluna

Atraindo a desgraça
A hora da refeição era uma hora sagrada
O que era meu horário favorito agora é o que eu mais quero distância. Apesar de lutar, ainda conservo os mais péssimos hábitos do cidadão brasileiro como por exemplo o hábito inocente de comer em frente a televisão.
Geralmente composto de arroz, feijão, zóião e salada de alface meu almoço nesses últimos tempos tem ganhado um novo igrediente: Sangue.
É inegavél o sucesso dos programas policiais nas tvs regionais. Com excessão da TV Cataratas, a blood mania já está naTarobá, RIC e fez da Tv Naipi seu QG regidos pelos caras mais toscos de Foz do Iguaçu e região. Os palhaços apresentam os animais...
Ação!
Aos prantos a mão chora porque o filho drogado, ladrão, traficante está estendido no chão cravado de balas. De repente ela se joga na poça de sangue, segura o cadáver no colo e pergunta pra Deus o porque do acontecido: Deus responde: "É porque ele não pagou o bagulho!"
Então surge a vizinha, as amigas os filhos e a retira do lugar antes do incansável IML cumprir com mais um acontecido o mais rápido possível pois, sabe que outra chamada em pouco tempo é inevitável. Tudo isso aos olhares de crianças menores de dez anos que no fundo riem e dão tchauzinho pra câmera se acostumando com a praga que as tvs, na falta de criatividade e consciência, ajuda a disseminar.
O IBOPE aponta:
Com um público que além de crianças inclui a grande massa ignorante, ou seja, a maioria da população da cidade, essas tvs descobriram que desgraça rende e anuanciantes não faltam: papelaria, clinicas odontológicas, mercados, empresas de seguro de vida, lojas de calçados e às vezes, até mesmo, o governo aproveita de sua própria incompetêcia para se sobressair.
Cardápio de amanhã
Sendo a cidade onde mais morre jovens no Brasil, é provável que o cardápio da cidade não vai mudar. A tv sabe disso e alegando prestar contas à sociedade distribui caderas de rodas, óculos e mais mortes. O problema não é "informar". A questão é como essa "informação" é dada. Não há nada mais desumano que corpos de jovens, seja eles o que forem, jogados e expostos como cardápio para a teleaudiência que se deleita numa auto afirmação de sua incapacidade de mudar o meio em que vive. Entre buffets, a la cartes e marmitas as tevezinhas regionais nos mostram dia-a-dia o sabor azedo de nossa humanidade.
Celso B. é colunista de Culinária

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Comunidade Oculta

Travestis criam Cooperativa Têxtil
Cansados da rua, galpões podem ser a saída para a dignidade

O caso Ronaldo repercutiu também do outro lado do Rio Iguaçu. Na Argentina travestis se viram prejudicadas pelas Nuevas Ronalditas e lotaram os consultórios de psicólogos de Buenos Aires.

Como no Brasil, as travas argentinas são vistas como simbolo sexual, promíscuo e refúgio de maridos insatisfeitos com o consolo de suas esposas. Esbeltas, bravas e rocas, as porteñas se viram diante de um dilema: "Queremos ficar a vida inteira aguentando 'homens' como Ronaldo? A iniciativa recebeu o apoio de Andreia, a travesti fenômeno, que decidiu virar o jogo.

Adréia: "Fiquei atrás de Ronaldo agora quero estar a frente dessa idéia"

Depois do código de convivência da Capital Argentina, que restringiu o trabalho às praças em homenagem a hérois comunistas, as travestis passaram a ver a fonte de seu dinheiro como ato de dignidade e através do Ministério do Trabalho criaram uma cooperativa têxtil ainda sem nome.

"Somos fruto dessa sociedade... não caimos do céu maquiadas e glamurosas, perversas e promíscuas... A sociedade deve admitir que somos resultados de suas qualidades e defeitos", diz Christina Dakuschiner, uma salteña de origem boliviana e lider do Sindicato das Trabalhadoras Transexuais da Construção Civil, a Sitratracc.

A cooperativa é considerada uma vitória e, a meta, ambiciosa: Empregar no primeiro mês 30 meninas e até 2009 elevar esse número para 400 além de assumir o controle do mercado mundial da moda após a morte de Yves Saint Laurent.